


Arte sacra
São Benedito das Flores
- Origem
- Brasil
- Época
- Séculos XVII–XVIII
- Matéria
- Madeira policromada e dourada
- Referência
- SAO BENEDITO
Sobre base retangular de quinas arredondadas, escultura de grande sobriedade. O santo negro veste o hábito da ordem franciscana, avivado em dourado em alguns detalhes do capuz, no cordão, na barra e nos atributos que carrega. Tem expressão serena, leve sorriso nos lábios e cabelos encaracolados com tonsura monacal.
Numa das mãos, o guardanapo enrolado; na outra, uma parte dobrada do hábito onde se assenta um buquê de flores — um de seus atributos mais populares na iconografia portuguesa do século XVII. A devoção recebe o nome de São Benedito das Flores e liga-se à tradição que o indica como cozinheiro do convento onde vivia. Advertido a não usar para esmolas o pão dos frades, foi surpreendido a transgredir a ordem; interrogado sobre o que levava escondido no hábito, abriu-o, e o pão havia se convertido em flores.
Benedito, nome que significa abençoado, nasceu num povoado da Sicília. Seus pais foram escravos vindos da Etiópia, mas o filho já nasceu liberto. Não aprendeu a ler nem a escrever, e ainda assim ensinava teólogos e mestres. No Brasil este modelo começou a circular nos séculos XVII e XVIII e difundiu-se nas regiões que mais receberam africanos — é muito conhecida a imagem desse tipo no altar lateral da igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, no Pelourinho.
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